Blog do Paulo

Tuesday, April 25, 2006

O que é o virtual?

No texto, "O que é o virtual?", Pierre Lévy fala sobre a virtualização da tecnologia. Cita os equipamentos modernos que facilitam a vida de todos. O autor afirma: "Inventamos cem maneiras de nos construir, de nos remodelar".
Lévy também diz que a função simétrica da percepção é a projeção no mundo, tanto da ação como da imagem. Antes que tenham nascido, já é possível conhecer o sexo e quase o rosto dos filhos.
Desde suas origens mesopotâmicas, o texto é um objeto virtual, abstrato, independente de um suporte específico. Ler um texto é reencontrar os gestos que lhe deram seu nome. Carteiros do texto, viajamos de uma margem á outra do espaço do sentido valendo-nos de um sistema de endereçamento e de indicações que o autor, o editor, o tipógrafo balisaram. Mas podemos desobedecer ás instruções, tomar caminhos transversais, produzir dobras interditas, estabelecer redes secretas, clandestinas, fazer emergir outras geografias semânticas. A partir de uma linearidade ou de uma platitude inicial, esse ato de rasgar, de amarrotar, de torcer, de recosturar, o texto para abrir um meio vivo no qual possa se desdobrar o sentido.
O aparecimento da escrita acelerou um processo de artificialização, de exteriorização e de virtualização da memória que certamente começou com a hominização. O leitor de um texto ou de um artigo no papel se confronta com um objeto físico sobre o qual uma certa versão do texto está integralmente manifesta. Certamente ele pode anotar nas margens, fotocopiar, recortar, colar, proceder, a montagens, mas o texto inicial está lá, preto no branco, já realizado integralmente. Na leitura em tela, essa presença extensiva e preliminar á leitura desaparece.
Um hipertexto é uma matriz de textos potenciais, sendo que alguns deles vão se realizar sob o efeito da interação com um usuário.
Considerar um computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons ou imagens sobre suporte fixo equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade. O computador é, portanto, antes de tudo um operador de potencialização da informação. O texto do Pierre Lévy é muito interessante, pois nele fica mais claro a definição e os dados técnicos sobre hipertextos.

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